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Vereador relembra cassação política de avô após AI-5 e lamenta clamor por retorno de uma ditadura

Bruno é neto de Emílio de Farias, único desembargador cassado do país por se opor às ações do Regime Militar na Paraíba

Por: Edilane Ferreira

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É com preocupação que o vereador e líder da oposição na Câmara de João Pessoa (CMJP) Bruno Farias (PPS) percebe esse momento de desilusão política pelo povo brasileiro, onde determinados segmentos da direita clama pelo retorno de um estado policial no comando central do Brasil, como houvera por mais de duas décadas durante o Regime Militar no país. A sensação de insegurança torna forte nomes como Jair Messias Bolsonaro, pretenso candidato a presidente da República, que tem como principal proposta a cultura do armamento de civis.

“O que me preocupa, em um cenário politico como um todo, é quase que essa obsessão por parte de um setor da sociedade pelo Estado policialesco, em que as garantias de liberdades individuais são relativizadas e que as conquistas que a população conseguiu alcançar ao longo da sua história são colocadas de lado em nome de uma dominação exarcebada. Isso me preocupa por que viver a liberdade é algo que somente é valorizado quando nós estamos na iminência de perdâ-la. Eu não quero que a população e a juventude vivam em espaços restritos de liberdade”, avaliou.

E foi no período de restrição de liberdade que reinou o Regime Militar no Brasil, entre os anos de 1964 a 1985. O impacto desse estado anti-civilizatório, revestido da pseuda ideia de ordem social e moralidade política em que se pregava pelos agentes ditatoriais, culminaram em uma série de Atos Institucionais (AI) decretados pelos presidentes vigentes à época e que era, praticamente, uma das formas de legislação mais proeminentes. O mais grave foi o AI – 5, insituído pelo presidente Artur da Costa e Silva, que cassou direitos políticos e mandatos de diversos políticos e até mesmo magistrados.

O impacto do AI 5 afetou a Paraíba, principalmente no Poder Judiciário. Foi com esta legislação que foram cassados os direitos políticos do presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, o desembargador Emílio de Farias, tornando-o único desembargador do país a sofrer cassação por ter uma gestão marcada pelo enfrentamento à ditadura militar e por denunciado perseguição a magistrados pelo então governador João Agripino, do extinto partido Arena.

Emílio é avô de Bruno Farias, que faz questão de relembrar sua história para lutar pela manutenção do Estado Democrático de Direito. “Ele foi desembargador e foi o único no país que teve seus direitos políticos cassados, foi aposentado compulsoriamente em razão do Ato Constitucional nº 5”, afirmou.

Esta semana, a Comissão Estadual da Verdade entregou o relatório final das audiências realizadas nos últimos anos para apurar casos de perseguição e tortura políticas por paraibanos durante o Regime Militar. Bruno enalteceu a iniciativa.

“Esse trabalho é uma prova viva de que muitas pessoas foram ao sacrifício por lutar pela liberdade. Pessoas que viveram no anonimato, foragidos, que pagaram o preço da liberdade com a própria vida para que hoje pudéssemos respirar a democracia. Eu vejo com muita preocupação o fato de, se nós observarmos em algumas manifestações de rua, pessoas da minha geração, por exemplo, pedindo a volta do intervencionismo, da ditadura, como se estivessem totalmente alheias ao fato de que no passado recente, com o próprio sangue pessoas lutaram para que nós vivêssemos hoje uma ambiência democrática, com o sufrágio direto, livre e universal. Esse é um trabalho de fôlego e serve para que nunca mais nós possamos permitir o retrocesso voltem”, afirmou.