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Em Sousa, Câmara proíbe ideologia de gênero nas escolas; autor da lei diz que não é homofóbico

Cacá Gadelha (PSDB) diz que é “defensor das famílias e das crianças” e “quem tem que discutir sexualidade somos nós pais”

Por: Cógenes Lira

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Um Projeto de Lei (PL) aprovado no município de Sousa proíbe o ensino da chamada “ideologia de gênero” nas escolas municipais e privadas da cidade. O projeto, de autoria do vereador Cacá Gadelha (PSDB), proíbe as atividades pedagógicas que visem à reprodução de conceito de “ideologia de gênero” na grade de ensino da rede municipal e privada do município. A matéria foi aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Sousa – todos os 14 vereadores foram favoráveis ao PL. A norma vem sendo alvo de polêmica e críticas nas redes sociais.

Ainda conforme o texto do Projeto de Lei, também fica proibida “toda e qualquer disciplina que busque orientar a sexualidade dos alunos ou que tente extinguir o gênero masculino ou feminino como gênero humano”.

O vereador Cacá Gadelha fez questão de ressaltar que não é homofóbico. “Não tenho nada contra os homossexuais, não sou homofóbico, muito pelo contrário, respeito a todos. Mas estou a favor da família”, declarou.

De acordo com Cacá Gadelha, não compete a escola instruir sobre assuntos referentes a sexualidade e criticou duramente a “ideologia de gênero”. “Na minha concepção, a criança deve ser tratada como criança. Quem tem que discutir sexualidade somos nós pais. As crianças devem ter uma educação de qualidade, que versa geografia e matemática, nada de ordem sexual. E essa questão da ideologia de gênero é um mal”, afirmou .

O camarista ainda argumentou sobre um princípio do filósofo Karl Marx, apontada por ele como uma das bases para sustentar a discussão no tocante ao tema. “Então não existe na sociedade nos dias atuais um pensamento de Karl Marx, que diz que o homem nasce sem ter o sexo definido e no decorrer da vida é que vai adquirindo. Não, de forma alguma, a gente nasce homem e mulher”, alegou.

Em junho deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso suspendeu lei de Paranaguá, no Paraná, semelhante ao projeto da Casa sousense. Neste caso, a Lei proibia informações sobre gênero e orientação sexual nas escolas mantidas pela prefeitura do município paranaense e até mesmo a utilização de tais termos. Sobre a decisão do STF pode recair sobre a cidade sertaneja, Cacá fez um breve comentário. “A gente vive num mundo hoje que as leis são alteradas constantemente. Apenas fiz a minha parte, daquilo que sou convicto, em defesa da família e das crianças”, disse.

Conforme Gadelha, nenhum caso de ensino da “ideologia de gênero” foi identificada em Sousa, a medida é tida como uma prevenção. Entretanto, é possível ver notícias e conteúdos circulando em mídias sociais, como “professores ensinando crianças a por camisinha” e “em museu criança tocando em adulto nu”.

Questionado sobre os assuntos relatados tratarem sexualidade e não gênero, e se o Projeto de Lei poderia ter outra abordagem a partir desta diferenciação, o vereador desconversou e disse apenas que estava falando sobre crianças. “Eu sou defensor das famílias e das crianças”, desviou.

Confira documento do Projeto de Lei: